Mulheres no mercado de trabalho: oportunidade, desafio e o caminho para a liderança
- agostinimarcia
- Oct 21, 2025
- 3 min read

Você sabia que, no ritmo atual, levaremos 123 anos para alcançar a igualdade de gênero no mundo?
Esse dado alarmante está no mais recente relatório Global Gender Gap 2025, publicado pelo Fórum Econômico Mundial e divulgado no Brasil pelo Movimento Mulher 360.
Mais do que um número, ele é um espelho do quanto ainda temos que caminhar — e o convite para que líderes, empresas e instituições deixem de apenas observar o problema e passem a agir com intencionalidade.
Onde estamos hoje?
Mesmo com avanços inegáveis nas últimas décadas, a equidade de gênero ainda é um desafio crônico no mercado de trabalho global — especialmente quando se fala em liderança e alta liderança.
Veja os dados mais recentes:
As mulheres representam 41,2% da força de trabalho global;
No entanto, ocupam apenas 28,8% dos cargos de liderança;
O Brasil ocupa a 72ª posição no ranking global de igualdade de gênero;
Estamos em 1º lugar em acesso à educação, mas em 96º em participação econômica e 70º em representatividade política.
Essa lacuna evidencia um paradoxo gritante: as mulheres estão preparadas, mas não estão sendo promovidas.
Os desafios são estruturais e invisíveis
Falar de equidade de gênero não é apenas discutir salários ou políticas de contratação — é olhar para um sistema inteiro que ainda opera com base em modelos masculinos de sucesso e com vieses invisíveis, muitas vezes inconscientes.
Principais barreiras enfrentadas pelas mulheres no mercado de trabalho:
Desigualdade salarial: mulheres seguem recebendo menos por trabalhos equivalentes, especialmente em cargos executivos;
Interrupções de carreira: a responsabilidade pelo cuidado familiar ainda recai, majoritariamente, sobre elas;
Falta de representatividade: conselhos, diretorias e cargos estratégicos seguem dominados por homens;
Estereótipos de gênero: a liderança ainda é associada a um perfil “duro”, “objetivo” e “racional” — atributos historicamente valorizados nos homens;
Cultura da sobrecarga: muitas mulheres sentem que precisam provar mais, trabalhar mais e mostrar resultados dobrados para serem vistas como competentes.
Esse cenário forma um ciclo de autolimitação e exclusão institucionalizada, em que o potencial feminino é desperdiçado — e todos perdem.
Equidade de gênero não é caridade, nem concessão. É inteligência estratégica.Estudos globais (McKinsey, BCG, Catalyst) comprovam que empresas com maior diversidade de gênero:
São mais resilientes em tempos de crise;
Têm maior capacidade de inovação e tomada de decisão;
Apresentam resultados financeiros superiores à média do setor;
Conseguem atrair e reter mais talentos qualificados;
Constroem marcas mais alinhadas com valores ESG e reputação positiva.
Empresas inclusivas performam melhor. Ponto.
Como podemos evoluir?
A mudança exige ação em várias frentes. Aqui estão caminhos possíveis:
1. Políticas corporativas inclusivas
Estabelecer metas claras de diversidade e promovê-las com responsabilidade;
Criar programas de mentoria e patrocínio para mulheres em cargos de média gestão;
Adotar práticas que favoreçam o equilíbrio, como trabalho híbrido, flexibilidade de horários e apoio à parentalidade.
2. Educação e capacitação
Investir em iniciativas que incentivem a participação feminina em áreas estratégicas (STEM, finanças, tecnologia);
Oferecer programas contínuos de desenvolvimento de liderança para mulheres;
Reconhecer e apoiar diferentes estilos de liderança — mais colaborativos, empáticos, intuitivos.
3. Cultura organizacional
Promover formações sobre viés inconsciente, com foco real em mudança de comportamento;
Valorizar ambientes com segurança psicológica, onde mulheres possam se posicionar sem medo;
Questionar estereótipos — inclusive os que romantizam o “sacrificar tudo” em nome da carreira.
4. Políticas públicas e parcerias institucionais
Apoiar a licença parental compartilhada, que redistribui o cuidado;
Estimular incentivos à equidade salarial e à contratação de mulheres negras, mães e 50+;
Combater todas as formas de violência e assédio de gênero, inclusive nos ambientes de trabalho.
O papel de cada um de nós
Se você é líder, gestor(a), empreendedor(a) ou profissional de qualquer nível, você tem um papel — e não é menor.
O avanço da equidade de gênero depende de ações no micro e no macro. No seu time, na sua fala, na sua contratação, na sua política de promoção.
Pergunte-se:
Quais mulheres estão tendo espaço para crescer na minha equipe?
Tenho dado feedbacks que fortalecem a confiança delas?
Como contribuo — ou perpetuo — as desigualdades invisíveis?
A equidade não é um favor. É uma necessidade coletiva para um futuro mais inovador, justo e sustentável.
🔁 Vamos continuar essa conversa?
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O que sua empresa tem feito para promover mulheres em cargos de liderança?
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