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Da era VUCA ao mundo BANI: a nova liderança em tempos de fragilidade e incerteza


Durante décadas, líderes foram ensinados a navegar em um mundo VUCA – sigla em inglês para Volatility, Uncertainty, Complexity e Ambiguity. O termo surgiu no ambiente militar norte-americano nos anos 1990 e rapidamente se espalhou pelo universo corporativo. A ideia central era clara: vivíamos em um contexto volátil, incerto, complexo e ambíguo, e os líderes precisavam desenvolver visão estratégica, capacidade de adaptação e pensamento sistêmico para sobreviver.


O modelo VUCA ajudou a preparar executivos para crises econômicas, disrupções tecnológicas e mudanças aceleradas. Porém, a pandemia de 2020 expôs uma nova camada de realidade: não estamos apenas em um mundo imprevisível, mas em um mundo radicalmente frágil e emocionalmente tenso, onde a imprevisibilidade não é exceção – é regra.


Do VUCA ao BANI: a nova lente

Para descrever esse novo cenário, o futurista Jamais Cascio propôs em 2018 o acrônimo BANI:


  • Brittle (Frágil): sistemas aparentemente sólidos quebram de repente, como cadeias de suprimento globais ou modelos de negócio consolidados.

  • Anxious (Ansioso): a constante sensação de risco alimenta estresse crônico em pessoas e organizações.

  • Nonlinear (Não linear): pequenas causas geram efeitos desproporcionais e imprevisíveis.

  • Incomprehensible (Incompreensível): muitas mudanças são impossíveis de explicar ou prever completamente, mesmo com dados abundantes.


O BANI não substitui o VUCA, mas o aprofunda. Ele nos lembra que não basta ser ágil e adaptável; é preciso ser resiliente, empático e humano.

O IMPACTO NA LIDERANÇA

Se o VUCA exigia líderes estrategistas, o BANI exige líderes integradores e conscientes, capazes de lidar com fragilidade e ansiedade coletivas. Algumas mudanças essenciais:


  1. Da força ao cuidado Liderar não é mais demonstrar poder, e sim criar ambientes de segurança psicológica. Pessoas precisam sentir que podem expor dúvidas, errar e inovar sem medo de punição.

  2. Da previsibilidade ao aprendizado contínuo Planos de cinco anos perdem valor quando um evento inesperado muda tudo em semanas. O líder BANI cultiva uma mentalidade de experimentação e aprendizado rápido.

  3. Da hierarquia rígida à rede colaborativa Decisões centralizadas tornam-se lentas demais. É necessário distribuir autonomia, permitindo que as equipes reajam no ritmo das mudanças.

  4. Da comunicação formal à conexão genuína Em meio à ansiedade, as pessoas querem clareza e proximidade. O líder precisa escutar ativamente, comunicar com transparência e reforçar o propósito comum.

  5. Da certeza à vulnerabilidade Admitir que não tem todas as respostas deixou de ser fraqueza. Hoje, é sinal de coragem e abertura para a inteligência coletiva.


Competências-chave do líder no BANI

Para prosperar, o líder precisa cultivar um conjunto de habilidades que combinam razão e emoção:


  • Flexibilidade e criatividade: mudar a rota com rapidez e propor soluções fora do óbvio.

  • Empatia e escuta ativa: compreender medos e motivações da equipe para reduzir ansiedade.

  • Comunicação aberta e adaptativa: transmitir mensagens claras, ajustando linguagem ao público.

  • Pensamento sistêmico: perceber conexões invisíveis e antecipar impactos cruzados.

  • Autogestão emocional: manter equilíbrio mesmo em ambientes caóticos.


Construindo organizações antifrágeis

Liderança no BANI também significa preparar empresas para se tornarem antifrágeis, conceito de Nassim Taleb: sistemas que não apenas resistem ao choque, mas melhoram com ele. Isso envolve:


  • Incentivar inovação constante, permitindo experimentação com tolerância ao erro.

  • Diversificar fornecedores, canais e talentos para reduzir dependências críticas.

  • Promover cultura de aprendizado, em que cada crise vira fonte de melhoria.


Um convite à ação

O salto de VUCA para BANI é mais do que troca de acrônimos; é uma mudança de mentalidade.

Enquanto o VUCA pedia estratégia e agilidade, o BANI exige humanidade, empatia e coragem para liderar em meio ao imprevisível.

Pergunte a si mesmo:


  • Estou criando um ambiente seguro para que minha equipe fale sem medo?

  • Sou capaz de admitir vulnerabilidade e aprender com o time?

  • Minhas decisões consideram a complexidade e a não linearidade do contexto?


Responder a essas perguntas é o primeiro passo para ser um líder relevante neste novo mundo.

Porque, em tempos frágeis, a liderança que mais importa é a que fortalece pessoas.

 
 
 

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