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Liderança feminina


No Dia Internacional da Mulher, podemos para um minuto para celebrar as conquistas femininas e refletir sobre os desafios que ainda precisam ser superados. O crescimento da presença feminina na liderança empresarial e institucional é inegável, mas a caminhada até os cargos mais altos ainda é marcada por barreiras estruturais e culturais.


A mulher líder carrega consigo um poder transformador, fruto da sensibilidade, empatia e  gestão mais humanizada, que a tornam diferenciada. No entanto, a ascensão profissional feminina muitas vezes é desafiada por vieses inconscientes, a Síndrome da Impostora e o assédio no ambiente corporativo. Neste artigo, vamos explorar esses desafios e reforçar a importância da equidade de gênero no mundo do trabalho.


Mulheres líderes trazem características que transformam as organizações. Estudos mostram que equipes lideradas por mulheres tendem a ter melhor engajamento, comunicação mais eficaz e um ambiente de trabalho mais colaborativo. Entre as principais habilidades da liderança feminina, destacam-se:


  • Empatia e escuta ativa: a capacidade de compreender e considerar diferentes perspectivas fortalece as relações interpessoais;

  • Gestão humanizada: o foco nas pessoas impulsiona a inovação e a retenção de talentos;

  • Resiliência: a habilidade de superar desafios fortalece a tomada de decisão estratégica;

  • Visão sistêmica: a capacidade de enxergar o impacto das decisões em diversas áreas da empresa melhora a sustentabilidade dos negócios;


Mesmo com essas qualidades evidentes, o avanço das mulheres na hierarquia corporativa ainda enfrenta obstáculos.

Embora o número de mulheres em cargos de gestão tenha aumentado, elas ainda são minoria nos altos escalões. No Brasil, apenas 5% das empresas têm mulheres na presidência, segundo dados da consultoria Grant Thornton. Isso ocorre por diversos fatores, incluindo:


  • Vieses inconscientes: a percepção de que liderança é sinônimo de masculinidade ainda está presente. Mulheres muitas vezes precisam provar sua competência repetidamente antes de serem reconhecidas;

  • Falta de representatividade: sem referências femininas no topo, muitas mulheres sentem que cargos de alta liderança não são para elas;

  • Dificuldade em conciliar vida pessoal e profissional: a sobrecarga com as responsabilidades domésticas e familiares recai desproporcionalmente sobre as mulheres, tornando a trajetória para o topo mais desafiadora.


Além disso, muitas mulheres enfrentam a Síndrome da Impostora, uma barreira psicológica que impacta sua autoconfiança e pode limitar seu crescimento profissional.


A Síndrome da Impostora é um fenômeno psicológico em que a pessoa, apesar de suas conquistas, sente que não merece estar onde está. Para as mulheres, essa sensação é potencializada por um ambiente corporativo que ainda duvida de sua competência.

Sinais comuns incluem:


  • Sentir-se inadequada mesmo quando recebe elogios e reconhecimentos;

  • Acreditar que seu sucesso se deve à sorte e não à sua própria capacidade;

  • Medo constante de ser "descoberta" como uma fraude.


Para superar essa barreira, é essencial desenvolver a autoconfiança, buscar mentorias e redes de apoio e reconhecer o próprio valor.

O assédio sexual ainda é uma realidade frequente no mundo corporativo. Muitas mulheres enfrentam comportamentos inadequados que vão desde comentários sexistas até investidas explícitas, o que afeta sua segurança psicológica e sua progressão na carreira.

Infelizmente, muitas vítimas não denunciam por medo de retaliação ou descrédito. Criar canais de denúncia seguros, fortalecer políticas de compliance e promover uma cultura de respeito são medidas essenciais para combater esse problema.


Dados do primeiro Relatório de Transparência Salarial, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego em 2024, revelam que as mulheres ganham, em média, 19,4% menos que os homens. Em cargos de direção e gerência, essa diferença chega a 25,2%.

A disparidade é ainda mais acentuada quando se considera a questão racial. Mulheres negras recebem, em média, 50,2% do salário de homens não negros, evidenciando uma dupla discriminação baseada em gênero e raça.


Embora as mulheres brasileiras apresentem, em média, maior nível de escolaridade que os homens, essa vantagem educacional não se traduz em equivalência salarial. Fatores como segregação ocupacional, preconceitos de gênero e responsabilidades domésticas desproporcionalmente atribuídas às mulheres contribuem para a persistência dessa desigualdade.


A equidade de gênero na liderança não é apenas uma questão de justiça, mas também de estratégia empresarial. Empresas com diversidade de gênero no topo têm melhor desempenho financeiro, segundo o relatório "Women in the Workplace", da McKinsey & Company.


Para impulsionar a liderança feminina, algumas ações são fundamentais:

1. Mentoria e patrocínio de carreira: mulheres precisam de aliados que as incentivem e abram portas para novas oportunidades;

2. Políticas de igualdade salarial: eliminar a disparidade de salários entre homens e mulheres é essencial;

3. Flexibilização do trabalho: empresas que promovem equilíbrio entre vida pessoal e profissional aumentam a retenção de talentos femininos;

4. Combate aos vieses inconscientes: treinamentos e debates sobre diversidade ajudam a desconstruir estereótipos de gênero.


O Dia Internacional da Mulher é uma data para celebrar, mas também para refletir sobre os desafios que ainda precisam ser superados. O futuro da liderança será mais forte quando mulheres tiverem igualdade de oportunidades, reconhecimento e respeito.


Que possamos seguir avançando para um mundo onde a competência feminina seja vista como ela é: essencial para o sucesso das organizações e da sociedade.


 
 
 

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